terça-feira, 9 de junho de 2009

Anabazys - Paloma Rocha e Joel Pizzini (2007)


Se o intuito de Paloma Rocha e Joel Pizzini, ao produzir Anabazys (2007) era prolongar o sentimento causado por A Idade da Terra (1980), o objetivo foi atingido. Pelo menos eu fui atingido. Adotei uma postura de respeito à obra desde que soube do lançamento, crendo no princípio de que uma filha não seria acometida de mal-entendidos ao interpretar a obra do pai. É verdade também que as poltronas do Cine Luz já me incitam o respeito à obra exibida. Esse sentimento de respeito foi responsável por grande parte da minha percepção do filme. Tive medo de arriscar interpretações, medo de criticar a obra da família Rocha, medo de ser mais um a crucificar glauber, como no festival de Veneza.
Em certo ponto rompi com o respeito. Arrependo-me. Cheguei a pensar que Anabazys deveria assumir uma linguagem especificamente documental, nos moldes tradicionais. Durante as entrevistas coletadas pelos cineastas, minha mente fixava-se em uma pergunta vazia: “cadê os créditos?”. Um mês depois de assistir ao filme eu me arrependo de ter pensado isso. Por, pelo menos, dois motivos: Não se pode, tendo uma ligação emocional e intelectual tão forte com a obra de Glauber (como suponho ter a filha), falar sobre seu filme-testamento de forma tão direta.
O segundo motivo é mais simples: causaria-me estranheza ainda maior ver a obra de Glauber dentro dos formatos de um documentário do que da maneira onírica abordada por Paloma Rocha e Joel Pizzini. Seria, para mim, como explicar o fim de uma piada. Prefiro tê-la entendido um mês depois.


Espero que a primeira pessoa do texto convença que essas são apenas sugestões; idiossincrasias.

João Guilherme

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