Violência Gratuita (2007)

Além dos óbvios motivos causadores de medo neste filme, alguns detalhes servem como catalisadores das ações principais. O fato de a personagem dialogar com o especatdor, o imerge na obra, e em alguns instantes até o faz sentir-se culpado pelo desastre do enredo. Como quando a personagem Paul dirige-se ao público dizendo que ele espera isso, que o desastre subsequente é culpa de quem assiste ao filme e espera dele uma trama com ápice.
O filme choca tanto por ser uma afronta maior aos espectadores que às proprias personagens do filme. Durante nossa cena de redenção, noa ápice da catárse, quando a personagem Ann consegue sacar a arma, e com a força dos dedos de todos os espectadores, atirar em Peter, somos deslocados. É como se a personagem Paul invadisse a sala de quem assiste ao filme, e arrancasse o controle remoto de sua mão. Frustra. Nesse momento o espectador é conduzido ao medo por não ter o controle da situação, nem mesmo o controle remoto o pertence mais, e quem manda no filme é uma personagem que já demontrou inúmeros atos de barbárie. O filme então começa a se arrastar nas promessas das personagens, que já se apresentaram como capazes de cumpri-la, e a angústia do espectador aumenta na mesma proporção que diminuem as aparentes esperanças. Mais uma vez o espectador não tem segredos em relação a personagem e uma solução não se anuncia.
Além dos fatores citados acima, o medo nesse filme é causado por personagens que não diferem do meio social. A aparência e o comportamento de Peter e Paul são aceitos como normalmente pertencentes à sociedade. É o fator da proximidade; do desconhecido que pode se enconder no próximo.
Caché (2005)

O filme, logo no início já anuncia sua maneira de causar medo e apreensão no espectador: planos longos, com pouco movimento de câmera e pouco movimento de personagens e elementos. Ao contrário do terror tradicinal que é imposto através de imagens vertiginosas, o filme Caché nos deixa apreensivos através de um hábito dos espectadores: a impaciência. O fato de quem assiste ao filme não saber mais sobre a trama do que as personagens, iguala os medos. Não temos um segredo guardado. Não vemos uma cena de um núcleo oposto que possa interferir positivamente no núcleo principal. Não há um anúncio de salvação.
Outro fato interessante da obra é a virtualidade dos medos. Em momento algum há uma real aparição do “algo” maligno. São sempre reproduções, suposições que nos amedrontam. Soma-se a essas suposições, nossa predisposição ao medo; concretiza-se então o sentimento. Não do real, mas da nossa interpretação tendenciosa de uma reprodução do real.
O medo de sair de casa acaba por isolar as personagens, e esse isolamento as leva a uma aversão ao convívio social. Um conjunto de símbolos se une na mente já perturbada das personagens e as forçam a um isolamento. É o medo do descolnhecido que as obriga a permanecer cada vez mais no ambiente conhecido, onde a falta de proteção parece que não os encontrará.
João e Mariana.
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